SERMÕES
E
RECEBEREIS PODER
*Este texto é um sermão
sobre a descida do Espírito Santo, que você pode utilizar em sua igreja de origem, mas, deve atentar bem para os
detalhes, pois, estão neles o charme do sermão....
Texto
Chave: At 1:8
Objetivo:
Mostrar
a necessidade do reavivamento na vida do crente e da necessidade de rever quais
são os verdadeiros motivos que o levou a querer servir no evangelho, fazendo-o
entender que existe um preço a pagar que nem todos estão dispostos de fato a
fazê-lo.
Palavra
– Chave: Olhos da Glória
INTRODUÇÃO
Nos
dias de Cristo o império romano estava no seu apogeu. Tibério César era o
imperador (14-37 d.C.), e aqueles últimos dias entre a páscoa e o pentecostes
foram bem intensos para Jesus Cristo e todos os seus seguidores. Desde a
entrada triunfal de Cristo à Jerusalém era evidente que o desfecho do
ministério terrestre de Cristo estava próximo, pelo menos era o que o próprio
Cristo já sabia.
Augusto
havia consolidado uma forte base administrativa que seus melhores sucessores
conseguiram aperfeiçoar e os piores não conseguiram destruir. Os benefícios que
a civilização romana proporcionava aos habitantes do império continuavam a ser
aproveitados, mesmo quando o governante era fraco ou tirano.
Durante
o período abrangido no livro de Atos, c. 31-63 d. C., os imperadores foram:
Tibério (14-37), Calígula (37-41), Cláudio (41-54), e Nero (54-68). Dentre
esses, Tibério e Cláudio usaram suas habilidades para o bem de suas vastas
posses, ao passo que Calígula e Nero pouco fizeram além de causar danos.
Contudo, a despeito dessa liderança instável, o império manteve condições
favoráveis para a propagação do evangelho.
O
livro de Atos, que desde os tempos mais antigos é conhecido assim, embora o
título não ocorra no livro em si. O livro fora escrito por Lucas, discípulo de
Paulo e que também era médico por formação. O livro com toda certeza contou com
os testemunhos de várias pessoas e principalmente com o de Paulo. O que se
imagina que este livro possa ter sido escrito entre os anos 60 a 66 d.C.,
provável data da morte de Paulo por ordem de Nero.
Lucas
era médico, imagina-se que tenha sido escravo, já que se era comum enviar
escravos às escolas de medicina para se aprender ofício da medicina para poder
melhor servir ao seu patrão. Lucas também teve um encontro com Maria, mãe de
Jesus, em Éfeso, lugar provável de sua morte, onde ela era cuidada pelo
apóstolo João, que também morreu em Éfeso, e o médico esteve lá para poder
colher informações para poder escrever no evangelho que leva o seu nome.
O
MESSIAS E O CONSOLADOR
A expectativa
que havia em torno do messias era muito grande, o povo e também os discípulos
esperavam um messias político, e não um messias salvador do mundo. Um messias
humano que resolveria os problemas políticos de Judá e não os problemas da
humanidade, que os libertaria da tirania de Roma e não os libertaria da tirania
do pecado e da morte.
Durante
três anos e meio Jesus Cristo, em seu ministério, lutou contra esta ideologia
mesquinha e egoísta, demonstrando que a sua missão era muito maior que eles
imaginavam e sonhavam em pensar (ver Jo 3:16). Jesus teve que morrer e
ressuscitar para eles verem, e mesmo assim não foi o suficiente eles não creram
o suficiente, teve de mostrar por meio das profecias e com um gesto eles O
reconheceram. Teve de passar com eles mais 40 dias antes de sua ascensão para
que estes tirassem a venda política de seus olhos e vissem com os olhos da
glória. Mario Veloso diz que “na mente dos discípulos, como um triste fantasma
rondava o reino de Israel”.
O
verso 7 do capítulo, Jesus deu uma resposta taxativa e decisiva, a resposta por
trás desta resposta talvez seja esta: “A pergunta de vocês é irrelevante. Não
tem nenhum sentido para vocês, nem para ninguém. O poder do reino que vocês têm
sonhado para Israel não está acessível para ninguém de Israel neste tempo.
Entretanto, para vocês, israelitas convertidos para o cristianismo, existe um
poder disponível que deve ser recebido imediatamente. É o poder do Espírito
Santo. Em resumo, eles tinham de deixar de ver com os olhos da política e passar
a ver com os olhos da glória.
A
última cartada de Cristo contra essa cegueira espiritual, causada por esse
ardor político, seria o próprio Espírito Santo, pois, sem o auxílio dele, o
homem é incapaz de compreender as escrituras. Vendo o trabalho que Cristo teve
para poder fazê-los enxergar expressa bem essa necessidade, tantas vezes que
ele dizia e os discípulos não o compreendiam. Mas, para que o Consolador
viesse, Cristo teria de subir para exercer o papel que lhe esperava no Santuário
Celestial que lhe fora dado por direito ao vencer o diabo na cruz.
RECEBEREIS
PODER (ver At 1:8) – A PROMESSA
Jesus,
após a sua ressurreição permaneceu com os seus discípulos por 40 dias
literalmente, não o tempo todo, mas manifestando-se frequentemente,
interpretando às profecias messiânicas acerca de sua vinda, e da missão da
igreja em ir salvar o mundo. Mas o tempo de sua subida os Céus havia chegado, e
era necessário já que ele tinha que desempenhar um papel de suma importância no
plano de Salvação e Ele teria de subir para o Espírito Santo poder descer.
Antes
da promessa, veio a orientação, que estes não se ausentem de Jerusalém e
esperassem pela descida do Espírito Santo. Pouco se sabe, no dia da expiação
(ver Lv 16: 29, 30), a nação toda estava em oração, em um gesto de
arrependimento e busca do perdão Divino. E o plano de Salvação tem por base
este cerimonial e para que estes recebessem o poder deveriam de repetir o
processo em sua essência, Cristo o sacrifício vivo, entrará no santuário para efetuar
a segunda parte do processo, lembrando-se que o Santuário terrestre era apenas
uma cópia do Celestial.
Do
grego dynamis, que significa “força”,
“habilidade”, “poder”. Nesta passagem Lucas se refere ao “poder” sobrenatural
recebido por aqueles que têm o Espírito Santo. Este poder é para testemunhar,
pois vem de dentro, proclama o evangelho e leva a outros a Deus. Por meios
deste discípulos, cheios de poder, Jesus continuaria a obra que havia começado
na Terra e até coisas “maiores” seriam feitas. Para receber o Espírito, eles
tinham de arrancar os olhos da carne e colocar os olhos da glória, ou do
Espírito, como preferir.
RECEBERAM
O PODER
Embora
não estudaremos este texto, o final desta história é bem conhecida. Ao final
daqueles dias se cumpriram as palavras de Cristo, que também foram aplicadas ao
texto de Joel 2: 28 por Pedro, em um sermão que converteu mais de três mil
pessoas, o Pedro de Atos 6 não é o mesmo de Atos 2, a transformação é mais que
evidente.
Um
evangelho que seria pregado a todo o mundo, e que estes discípulos seriam fiéis
testemunhas de Cristo. Curiosamente, a palavra testemunhas vem do grego martures que são aqueles que confirmam
ou podem confirmar o que viram, ouviram ou conheceram por qualquer outro meio.
A verdade é que até analogias mundanas podem até ser usadas neste texto, no
filme hollywoodiano da Marwel O Homem
Aranha, diz que: ”com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”.
Embora esta analogia possa até ser pouco imprópria neste contexto, podemos ver
os destinos de cada um dos discípulos que viveram fielmente o que Cristo lhes
ensinou.
Cada
um dos discípulos tiveram um preço alto a pagar pela escolha, pelo seu chamado.
Aí voltamos a aquela palavra grega que citamos a pouco, martures, que significa testemunhar, mas que nos lembra outra
palavra: martírio, sacrifício. Cada um desses homens que receberam este poder
tiveram um preço alto a pagar, e será que estaríamos dispostos a pagar este
preço tão alto, renunciando conforto, família, emprego, liberdade e até mesmo a
própria vida. João mesmo, o único a não ser martirizado, até porque, ele
sobreviveu a um martírio ao ser jogado em um caldeirão de óleo fervente por
ordem de Domiciano, e para não mais influenciar alguém foi jogado na prisão do
Império Romano entre os anos 95 e 96 d. C.(ver Ap 1:9). Em resumo, eles
passaram a ver com os olhos da glória, por isso pagaram o preço que pagaram.
CONCLUSÃO
Depois
de três anos e meio, Cristo morreu e ressurgiu, vencendo a Satanás no grande
conflito entre o bem e o mal. E agora, ele precisava desta vitória nos corações
dos seus discípulos para que estes proclamassem e levassem a Salvação a todos
os povos, nações, tribos e línguas.
Para
que isso ocorresse, eles teriam que antes de sair para pregar, receber o poder
do Espírito Santo. Mas para que isso acontecer, eles teriam de se converter por
inteiro de todos os seus pecados, repetir o ritual feito durante a cerimônia do
Yom Qîppur, que por trás de todo o ritual havia o momento da oração de arrependimento
e perdão. Os discípulos precisavam ficar em Jerusalém em um momento único ente
eles e Deus, para poder resolver questões espirituais e pessoais para que
estivessem prontos para salvar.
No
momento em que receberam o poder vindos dos céus estavam prontos para viver o
Rm 14:8, neste momento eles tinham os olhos da glória, nada mais estava entre
eles e Deus. Entenderam que o campo evangelístico é um campo de batalha, e
estavam dispostos a dar a vida pelo que acreditavam.
A
primeira pergunta que faço a você é com quais olhos você está vendo a sua vida
passar: são os “olhos da carne” ou os “olhos da glória”?
Qual
é a sua disposição ao servir o evangelho? Qual é o seu limite?
Se
você ainda não enxerga com estes olhos, você quer passar a ver a sua vida com
os olhos da glória?
REFERÊNCIAS
Comentário
Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol.6. Editor original em
Inglês Francis D. Nichol; Editor versão em Português Vanderlei Dornelles.
Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira: 2014. (pp. 99, 105-108,110)
VELOSO, Mario. Atos:
Contando a História da Igreja Apostólica: Comentário Bíblico Homilético.
Tradução: Lucinda dos Reis Oliveira. Casa Publicadora Brasileira: Tatuí, 2010.
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