DEUS ABOMINA O RACISMO
“Não discriminareis as pessoas em juízo;
ouvireis assim o pequeno como o grande; não temereis a face de ninguém, porque
o juízo é de Deus; porém a causa que vos for difícil fareis vir a mim, e eu a
ouvirei”. Deuteronômio 1:17
O
racismo é um tema que em mim causa um grande sentimento de repúdio, seria
impossível para mim, em um livro que escrevo sobre pensamentos e reflexões não
abordar, com veemência minha indignação quanto a esta situação caótica que
vivemos em nossa sociedade. Este tema é uma compilação de um artigo acadêmico
meu que está ainda em fase de desenvolvimento, mas que achei importante dividir
com vocês meus leitores, e com uma postagem minha no facebook após uma mais um
caso de racismo, acontecido recentemente com uma família de um jogador de
futebol do Rio de Janeiro, do time do Flamengo, o Vinícius Júnior.
O
preconceito racial é um dos temas mais abordados nos últimos anos, nos séculos
anteriores foi motivação para conflitos e derramamento de sangue,
principalmente de sangue inocente, e, é o que a história afirma. Martin Luther
King disse: “Eu tenho um sonho. O sonho
de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele”. O
sonho de Luther King está bem distante de acontecer.
Nos
EUA, por exemplo, a grande motivação que levou à Guerra Civil Americana, foi
justamente a questão da mão de obra escrava, dos negros vindos da África e
erradicados em solo americano, que era o principal trunfo econômico para os
estados sulistas, que viviam da agricultura, especificamente da colheita de
algodão. Os estados do norte, por sua vez, mais industrializados, viam nos
negros, já libertos e assalariados, como compradores de suas mercadorias assim
movimentando o mercado.
Após
a Guerra Civil, os negros foram libertos e marginalizados, e passaram a ocupar,
não as fábricas trabalhando, e sim o sistema penitenciário acusados de
“vadiagem” já que não tinham empregos. Nos anos subsequentes, a segregação e o
ódio aos negros se seguiu na sociedade americana, estourando nos 60 na luta
pelos direitos civis liderados pelo reverendo Martin Luther King entre outros. Nos EUA, mesmo com suas lutas,
seus mártires e suas vitórias, o preconceito racial ainda é forte e a
segregação ainda é bastante notória nos dias de hoje.
No
Brasil, apesar de oficialmente ser um país de maioria negra e de que a
segregação racial ser proibida no país, ainda sendo crime, o racismo se faz bem
presente em nossa sociedade. Segundo o site Terra,” com dados do Sistema de
Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde aponta que, no
Brasil, 71,4% das 49,3 mil vítimas de
homicídios em 2011 eram negras – o que corresponde a 35,2 mil assassinatos”.
Como,
pode-se ver nos dados da reportagem do Terra, a classificação negro engloba o
negro e seus descendentes miscigenados, ou seja, o pardo também entra nesta
estatística. O preconceito racial no Brasil está maquiado ao social, ou seja,
você é aquilo que você tem e não pelo que você é como pessoa. Em partes, isso é
uma verdade, até porque ninguém quer admitir que é racista, é mais fácil
admitir o não gostar de pobres do que de negros. Entretanto, mesmo negros
“ricos” sofrem preconceito, recentemente, um médico no estado do Rio de Janeiro
foi hostilizado por um paciente por ser negro, e o motivo era que o paciente
não queria ser atendido por um médico negro.
As
pessoas escondem-se por trás de vários motivos para se justificar suas atitudes
preconceituosas, e uma delas é a motivação religiosa. Existe o pensamento de
que os negros africanos, descendentes de Cam, filho amaldiçoado de Noé por ter
zombado da nudez do pai em momento de bebedeira, tiveram a cor negra na pele
como marca da maldição de Deus a Cam, fato este que não tem fundamento bíblico,
já que outros povos também são descendentes de Cam e não são negros.
No
entanto, este trabalho tem como objetivo esclarecer e trazer a tona o papel do
negro na sociedade bíblica e do Antigo Oriente Próximo, além de como eram
vistos pelos israelitas nos tempos do Antigo Testamento. Também, neste
trabalho, será importante abordar a origem da teoria de uma “raça superior as
outras” e se esta tem um fundamento bíblico para embasar esta crença. E, por
fim, apresentar a relação entre Ellen G. White e os negros, e se em alguma de
suas declarações apresenta alguma ideia sobre preconceito racial.
A
Bíblia é a chave para todas as respostas que procuramos. O criacionismo, teoria
aceita por quase todos os religiosos cristãos e para mim como autor, defende a
ideia de que o mundo foi criado em seis dias literais. E ao fim desses seis
dias um casal, homem e mulher foram criados, e por meio destes veio a existir
toda a espécie.
Após
o pecado dos primeiros pais, a morte passou a todos os homens. Adão e Eva foram
expulsos, ainda sem filhos, do jardim do Éden. Fora do jardim tiveram
inicialmente dois filhos, sendo que o mais velho matou o mais moço, e este fora
expulso por Deus da presença dos seus pais, para um lugar bem distante onde
inexplicavelmente estabeleceu sua descendência, esta sendo conhecida como os
filhos dos homens. Deus deu um terceiro filho para o casal enlutado, Seth, e a
geração dos filhos de Deus.
E
com essa divisão, a primeira polêmica. Alguns defendem a ideia de que a marca
que Deus dera a Caim como assassino, depois de ter matado a Abel, fora
justamente o pigmento negro à sua pele. Que, aliás, é uma grande mentira. Por
dois fatos, primeiro o pigmento que dá a cor negra à pele, não é uma maldição,
é uma virtude, uma defesa. Esse pigmento é a melanina, que protege a pele dos
raios ultravioletas vindos do sol, ou seja, uma defesa benéfica e não uma
maldição. Outro fato interessante é notar que toda a descendência de Caim fora
dizimada no dilúvio universal, onde apenas se salvaram oito pessoas, Noé,
esposa, os três filhos e suas três noras (cf. Gn 6 – 8).
Após
a destruição da terra por meio do dilúvio universal, a Bíblia apresenta a nova
distribuição da população da terra em três grandes famílias: os filhos de Sem,
os semitas, distribuídos entre o Oriente Médio e a Ásia, os filhos de Cam, que
se estabeleceram principalmente na África, e os filhos de Jafé que se
espalharam pela Europa. Isto de acordo com ao povoamento mundial no velho
mundo, que engloba a Ásia, a África e a Europa.
O
povo hebreu estava mais intimamente associado com os descendentes de Cam do que os de Jafé. Cuxe, ou Kush, era a
antiga Etiópia, que nos templos clássicos era chamada Núbia. Não era a
Abissínia, mas incluía parte do Egito e outra do Sudão, estendendo-se da
primeira catarata do Nilo, em Assuã, até Cartum, ao sul. Nas inscrições
egípcias, essa terra é chamada Kash, e, em textos cuneiformes assírios, Kusu.
Cuxe, contudo, incluía a parte não apenas a Núbia, na África, mas também a
parte ocidental da Arábia, que margeia o Mar Vermelho. Sabe-se que alguns dos filhos de Cuxe se
estabeleceram por ali. (NICHOL, 2011, p. 264,265)
Os
israelitas, por exemplo, são povos de origem semita e usam línguas semíticas.
Eles são de origem dos filhos de Sem. Já os espanhóis, gregos, etc., descendem
de Jafé. Os entre os filhos de Cam estão os cananeus, filhos de Canaã, apesar
de serem filhos de Cam eles se comunicavam por meio de uma língua semita,
acredita-se que eles aceitaram a influência semítica, é o que afirma
Nichol(2011).
Se
você observar, o episódio em que Miriam, a irmã mais velha de Moisés, ficou
leprosa, este problema pode ser detectado como um ato de discriminação racial
por parte dos irmãos de Moisés, no caso de Miriam e Arão. O ato de ambos, os
dois, foi recriminado por Deus, ao ponto dEle desejar consumi-los, e Moisés ter
de interceder pela vida de seus irmãos, que mesmo poupados ambos foram
penalizados. Alguns dos especialistas e comentaristas bíblicos defendem a ideia
de que essa mulher cuxita trata-se de Zípora, filha de Jetro, mas também há
especialistas que defendem a ideia de que essa mulher cuxita se trata de uma
segunda esposa e que Zípora tenha voltado com o seu pai para a sua terra natal.
Sendo ou não Zípora, o texto deixa bem claro que essa mulher cuxita, ou seja,
descendente de Cuxe ou Kush é uma mulher africana, de pele escura, e é esposa
de Moisés.
A
figura do negro na Bíblia, apesar de não muito abordada ou percebida, se faz
presente, tanto no Antigo quanto como no Novo Testamento. Engana-se quem acha
este assunto se trata de uma única menção como no caso do eunuco, quando fora a
Jerusalém em busca da verdade, e que fora batizado por Felipe graças à
intervenção de um anjo a mando de Deus (cf. At 8:26 – 40). Ou na visita da
Rainha de Sabá, que era africana, ao rei Salomão (cf. I Rs 10: 1-13), ou no
caso do etíope Ebede-Meleque (cf. Jr 38: 1-13), que significa servo-rei em
hebraico, que intercedeu pela vida de Jeremias junto ao rei de Judá. Todos
estes casos serão estudados nesta pesquisa.
No
entanto, há um caso muito especial que ainda não passou perto de ser
considerado, é o caso do profeta Sofonias. O profeta Sofonias é um
afrodescendente, ou seja, é um negro israelita. Para melhor entender este caso
é necessário um estudo sobre a origem dos povos do Antigo Oriente Próximo e sua
geografia, além de sua genealogia e como se identificam em seus escritos.
Tem
gente que fala que racismo é MIMIMI, mas não é, é vergonha, é loucura, é a
insanidade humana incorporada. Estou falando isso, usando a minha condição de
teólogo, acredite, Deus abomina o racismo. Veja o que ele fez com Arão e
Miriãm, quando estes se rebelaram contra Moisés, o motivo deles era a esposa de
Moisés que era uma mulher cuxita, ou seja etíope, em outras palavras uma mulher
africana.
Não
preciso dizer que os negros nos tempos do Antigo Testamento eram bem vistos e
estimados, é só vc pesquisar, eles dominavam o mundo nos tempos do profeta
Isaías, o império Kush é um exemplo. A rainha de Sabá, ou a mulher negra de
Cantares 1:5, que na tradução para o português o tradutor omitiu este detalhe e
colocou pele morena.
Cor
de pele é um detalhe exterior que diferencia um do outro, mas internamente
somos todos iguais, temos os meus órgãos, temos tipos sanguíneos semelhantes,
no fim, quando você precisa de um doador de sangue ou de órgãos os médicos não
estão nem aí para qual seja a cor da pele do doador, mas se ele é compatível.
Se você já foi desprezado por sua cor de pele, o melhor tapa na cara dos
racistas e desta sociedade que, de certa forma, nos reprime por causa de nossas
origens é mostrar o quanto somos bons naquilo que fazemos. E que TODOS FOMOS
FEITOS A IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS
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