O Ciclo do Cristianismo: 500 anos de Reforma


por Alexandre Marques

Recentemente publiquei três vídeos contraditórios, o primeiro, uma reflexão do Dr. Rodrigo Silva em frente à cordilheira do monte Sinai. O segundo, um ex-bispo da Igreja Universal relatando os enganos praticados por ela em busca de dinheiro. E por fim, o terceiro vídeo, um terceiro vídeo de uma reportagem comemorativa dos 500 anos da reforma protestante feita pelo Jornal Nacional da TV Globo. O que eles têm em comum? Justamente o terceiro vídeo é o que eles têm em comum.
 A vida no evangelho é cíclica, se repete a cada dia, de tempos em tempos. Deus estabelece um conceito, uma regra, um mandamento, durante um determinado período o seu povo segue fielmente, é o momento do primeiro amor. Depois de um determinado tempo, Satanás planta uma sementinha do mal, igual a parábola do  trigo e do joio (cf. Mt 13:24-30), não estarei aplicando no contexto de pessoas, mas, de tentações, a sementinha da ganância e do amor ao dinheiro. E, por causa deste amor, os filhos de Deus abandonam o primeiro amor (cf. Ap 2:14), o evangelho.
Abandonando o primeiro amor, vem à fase de escuridão e trevas espirituais dentro do arraial do povo de Deus. Homens e mulheres de Deus são perseguidos e massacrados por dizer a verdade. Por meio desse amor doentio por mais posses a apostasia torna-se membro assíduo dos lares e congregações cristãs. O amor as posses e as posições sociais levaram os judeus a venderem seus próprios irmãos como escravos, sendo que estes foram séculos antes libertos da escravidão egípcia, e também levou os fariseus conspirarem para matar a Cristo. E, por consequência disso, em ambos os casos a completa destruição e vergonha vieram como iminente juízo sobre eles.
A reforma protestante veio, justamente, para ser como uma ruptura com tudo aquilo que estava desvirtuando o cristianismo. O Cristianismo surgiu justamente para pregar que o Sangue de Cristo veio para trazer liberdade para a humanidade caída. Veio para trazer esperança, mas, que para isso o indivíduo deveria aceitar o sacrifício de Cristo, ou seja, a Salvação era gratuita e cabia ao indivíduo aceita-la ou não.
No entanto, o devido a algumas rupturas, eu começou com a ruptura do Cristianismo com o Judaísmo, o cristão perdeu a referência do que significava a obra e ministério de Cristo para toda a humanidade. Justamente, romper com os mandamentos bíblicos fizeram com que o cristão se afastasse com o princípio originário do cristianismo. Para se ter uma ideia, quando os judeus se rebelaram com os romanos, os cristãos romperam com os cristãos em definitivo, até então eles se reuniam nas sinagogas dos judeus aos sábados e ali depositavam os seus dízimos. Deixando de ir as sinagogas aos sábados automaticamente deixaram de devolver os dízimos, pois, não tinham mais a figura do sacerdote para fazerem a devolução.
Negar o dízimo ou as ofertas é negar a justiça, a misericórdia e a fé, pois Jesus as colocou como parte integrante da lei (cf. Mt 23:23), lei esta que ele garantiu que não veio abolir (cf. Mt 5: 17 – 19). Assim, devemos fazer estas coisas (dizimar) e não omitir aquelas (justiça, misericórdia e fé).(SILVA, 2015, p.90)
A Igreja ficou por volta de 300 anos sem dizimar, isso é muito tempo. Ela vivia de doações por parte dos fiéis. Quando ela se tornou religião oficial do Império precisava de dinheiro para sobreviver, então, surgem as indulgências. E a Igreja durante séculos se enriquece à custa da miséria da população europeia da época. Perdão em troca de dinheiro, garantir um lugar no céu vendendo tudo o que tem, tirando o pão da boca dos filhos, só para manter o luxo de clérigos católicos.
Voltamos ao mesmo a segunda fase do ciclo, a corrupção moral, que assolou por duas vezes o povo de Israel no passado, agora estava em seu auge com a Igreja Cristã. A estratégia de Satanás segue a mesma. Durante anos, como no passado com os profetas de denunciavam as injustiças sociais e apostasias da liderança israelita, Deus enviou agora os reformadores antes de Lutero para isso, e como muitos desses profetas de Israel foram mortos pela própria Igreja.
Até que chegamos à terceira fase deste ciclo, com a chegada de Lutero. O dia 31 de outubro de 1517 entrou para a história. Quando Martinho Lutero pregou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg as 95 teses sobre a justificação pela fé. Uma afronta direta à fonte de captação de recursos que mantinham o Império Papal. Algo que causou grande rebuliço no mundo até então. Foi a maior cisão que a igreja sofreu desde a sua divisão quando esta se dividiu em duas, quando surgiu a Igreja Ortodoxa.
Lutero sofreu muito, enfrentou tentativas de assassinatos, foi obrigado a comparecer diante do Papa e exigido que se retratasse de tudo aquilo que escreveu, prontamente negando o pedido papal. Teve de ser escondido durante um ano, onde pensaram que estava morto, período este que se dedicou a traduzir a Bíblia em alemão, sendo o primeiro exemplar da Bíblia traduzido à língua mãe de um país. Por meio dessa obra é que hoje temos a Bíblia em tantas línguas inclusive em português.
A obra de Lutero foi fundamental para que o evangelho se reencontrasse novamente. Mas os anos e séculos foram passando e o protestantismo, como se chamou o movimento, se dividiu. Luteranos, Calvinistas e tantos outros até chegarem ao movimento que iniciava desde 1780, o interesse na volta de Jesus e posteriormente surgem os adventistas.
Os anos se passaram e mais uma vez passada a primeira fase de amor, novamente, voltamos à segunda fase. Onde aquele velho sentimento que destruiu o povo de Deus e a Igreja no passado, volta novamente. Não dá para inocentar placas de igrejas, todos são culpados, a sua maneira é claro.
O contraste entre o vídeo do Dr. Rodrigo Silva, que busca unicamente trazer o conhecimento e a verdade, levando a Palavra de Deus aos povos, contrastando com o que o ex bispo falou do que ocorre lá dentro da IURD, e não só dela, mas como também das igrejas neopentecostais em geral, como o caso da Igreja Mundial do Poder de Deus, do “apóstolo” Waldemiro Santiago, da Igreja Internacional da Graça de Deus do “Missionário” R.R. Soares, do Pr. Silas Malafaia e cia., é semelhante com o que a Igreja Católica Apostólica Romana fazia, a única diferença enquanto ela vendia perdão divino e lugar ao céu, eles vendem cura e prosperidade financeira e no amor.
Mas, não é só eles que estão neste barco não, muitos outros estão. Nas Igrejas tradicionais também tem aqueles que fazem de tudo e mais um pouco para preservar sua posição de destaque para não perder seus privilégios, e fazem de tudo para silenciar aqueles que têm algo a dizer. Enaltecem aqueles tem dinheiro e posição social, preterindo os que nada têm a oferecer. Jesus disse assim: “Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança” (cf. Mt 5:5).
Como disse o cristianismo é cíclico e estamos na segunda fase dele. E a terceira virá, a pergunta é: O que virá na terceira fase deste ciclo? O que sabemos é que é a correção da segunda fase, para Israel representou destruição, por duas vezes. Para a Igreja Cristã, que já era Católica, a Reforma Protestante, que representou uma ferida que até hoje não foi curada. O que será do povo de Deus destes últimos tempos?
Alexandre Marques

Bacharel em Teologia SALT IAENE

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